Joli

Foi sempre assim que me disseram que ele se chamava. É um cão. Não é o meu, mas um cão que eu adoro. O Joli pertence ao edifício da empresa onde trabalho há vários anos. Estou habituado a vê-lo não durante o dia, mas quase sempre à noite quando é solto, nas horas que supostamente já não existe ninguém nos escritórios. Embora exista sempre movimento, mas reduzido, o Joli é solto para guardar o prédio. Ali anda em volta, sai para a rua sem saída onde o prédio se encontra, estica-se uns metros mais na frente, mas nada de mais e em poucos minutos está de regresso como um bom guardião. Ladra ao chegar de qualquer carro, pois não sabe quem lá vem, ladra ao chegar de pessoas, embora que quando reconheça os que lhe dão atenção se derreta todo de mimos. Como qualquer animal ele quer mimos e afecto. Hoje na hora de almoço ao contrário do que é costume não saí para o exterior do recinto da empresa. Não me apetecia sair, não me apetecia ir para o meio de confusões, não me apetecia ir ao shooping, nem mesmo fazer coisas que deveria de fazer. Sem almoço, fui até à máquina de embalados e tirei um pão com chouriço. No momento lembrei-me do Joli e dirigi-me às traseiras da empresa onde ele se encontra na sua casota durante o dia. Um improviso de rede alta, mas com uma casotinha agradável para ele dormir durante o dia enquanto espera a hora de ir passar revista ao prédio durante toda a noite e onde se delicia com uma tigela cheia de comida ali bem colocada na entrada principal. O Joli assim que me viu ficou espantado, tão espantado de me ver que parecia nunca me ter visto. Eu que lhe dou festas, eu que lhe dou guloseimas, eu que até já criei uma pasta de fotos no meu Facebook pessoal só para ele… Estava estranho pois não era hábito ter a minha visita a meio do dia. Cheguei junto a ele, estava desconfiado. Parti um pouquinho de pão e coloquei do lado de dentro da rede para ele comer. Veio a medo buscar e voltou para dentro apressadamente. No segundo pedaço já ficou junto a mim e no terceiro também, fiz-lhe festas por entre a rede que ele agradeceu e viu-se que estava contente pela minha presença e eu fiquei também feliz, não fosse eu um amante destes animais, destes melhores amigos do homem que cada vez mais são mal tratados e explorados. Fez-me bem e faço questão de começar a visitar o Joli mais vezes a meio do dia, munido de guloseimas para o fazer sentir-se bem… Adoro o Joli como ao meu gordo de 4 patas que tenho em casa. Apeteceu-me partilhar isto. Joli, este texto é para ti.
Rui Cláudio Dias

1 comentários:

Paulo Duarte disse...

Só tu Rui... para não deixares um animal indiferente :) ainda bem que és assim :)